
Yulia Navalnaya confrontou autoridades russas nas redes sociais nesta terça (20). A família acusa o governo de Vladimir Putin de estar escondendo o corpo de Alexei para sumir com vestígios de assassinato. A mãe de Navalny, Lyudmila, afirmou que não conseguiu ver o filho pelo quinto dia consecutivo e não tem informações por parte do governo. Alexei Navalny
Reprodução/TV Globo
A viúva e de Alexei Navalny, Yulia Navalnaya, e sua mãe, Lyudmila Navalnaya, exigiram nesta terça-feira (20) que o governo russo devolva o corpo de Alexei para que ele possa "ser enterrado com dignidade". O opositor de Vladimir Putin morreu na sexta-feira (16) em uma prisão na Rússia e a suspeita é de que ele tenha sido assassinado a mando do presidente.
✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
"Devolvam o corpo de Alexei e deixe-o ser enterrado com dignidade, não impeça as pessoas de se despedirem dele. E peço a todos os jornalistas: não perguntem sobre mim, perguntem sobre Alexei", disse Yulia na rede social X (antigo Twitter).
Em vídeo na frente da prisão IK-3 Lobo Polar, onde Navalny morreu, sua mãe Lyudmila reforçou a exigência de ter o corpo de seu filho volta. Ela denunciou que pelo quinto dia seguido ela tem o acesso ao corpo de Alexei negado e não tem nenhuma informação do governo russo.
"Pelo quinto dia consecutivo, não consigo ver Alexei Navalny. Não me entregam o corpo dele e nem mesmo me dizem onde ele está. Estou me dirigindo a você, Vladimir Putin, a solução para o problema depende apenas de você. Deixe-me finalmente ver meu filho. Exijo que o corpo de Alexei seja imediatamente entregue para que eu possa enterrá-lo dignamente", afirmou a mãe.
A família e aliados informaram que Lyudmila recebeu no último sábado a confirmação da morte do filho. Porém, desde então, o governo russo diz que não entregará corpo até concluir investigação da causa da morte.
LEIA TAMBÉM:
ESPECIAL G1: Veja por que o presidente dos EUA sempre é democrata ou republicano?
Corpo ocultado
Segundo a porta-voz do opositor russo, Kira Yarmysh, o corpo de Alexei Navalny está escondido para sumir com vestígios de assassinato.
Desde que a morte de Navalny foi anunciada, na sexta (16), a causa da morte não foi informada e o governo russo disse não ter nenhum detalhe a respeito. O Kremlin disse apenas que está investigando o caso.
A porta-voz de Navalny disse que os investigadores russos transferiram o corpo de uma colônia penal no Ártico para a cidade vizinha de Salekhard, onde seria examinado. A expectativa dos familiares era que o corpo já estivesse liberado.
Quem foi Alexei Navalny, principal opositor de Putin que morreu na prisão
Porém, a porta-voz de Navalny afirmou que o Comitê de Investigação, responsável pelas investigações penais na Rússia, comunicou que o inquérito sobre a morte de Navalny "foi prolongado".
"Não se sabe até quando vai prosseguir. A causa da morte continua sendo 'indeterminada'. Eles mentem, tentam ganhar tempo e nem sequer escondem", completou
O Kremlin também confirmou que a investigação "segue em curso" e não chegou a nenhuma conclusão.
Nas redes sociais, porém, a porta-voz de Navalny afirmou que o teste de 14 dias para descobrir a causa é uma "mentira descarada". Para ela, o tempo será usado esconder sinais de que ele foi morto.
LEIA TAMBÉM:
Viúva de Navalny acusa Putin e diz que seguirá com luta do marido na Rússia; VÍDEO
'Se eles decidirem me matar, é porque somos incrivelmente fortes', diz Navalny em documentário que ganhou o Oscar
Hospital diz que tentou reanimar Navalny por mais de 30 minutos; mãe afirma que o viu 'vivo, saudável e feliz' na segunda
Morte de Navalny
O Serviço Penitenciário Russo (FSIN) informou que Alexei Navalny morreu na sexta-feira, depois que perdeu a consciência durante uma caminhada.
Navalny, de 47 anos, era um ex-advogado que ficou conhecido ao fazer acusações de corrupção ao governo do presidente Vladimir Putin. Ele se apresentava como um político liberal e principal adversário do atual presidente.
Na década de 2010, por exemplo, liderou um movimento contra Putin que levou milhares de pessoas às ruas do país. Já em 2018, ele convocou outra manifestação chamada de "greve de eleitores" após Putin ser eleito.
O opositor do atual governo foi sentenciado à prisão até completar 74 anos por acusações que, segundo ele, foram forjadas para mantê-lo afastado da política.
Os Estados Unidos e a União Europeia culparam o governo Putin pela morte. O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou estar "profundamente entristecido e perturbado" pela morte e exigiu que a Rússia esclareça as circunstâncias do ocorrido.
'Se eles decidirem me matar, é porque somos incrivelmente fortes', diz Navalny em documentário que ganhou o Oscar