ONU escolhe ex-ministra da França para investigar agência para refugiados palestinos acusada de ligações com o Hamas
Catherine Colonna irá liderar trabalhos de investigação de auditoria independente formada por organizações da Suécia, Noruega e Dinamarca, e tem entrega de relatório definitivo até o final de abril. Espanha e Portugal anunciaram que continuarão apoio financeiro à UNRWA, enquanto EUA, Itália, Alemanha e outros países suspenderam doações. Sede da UNRWA na Faixa de Gaza
Picture alliance/dpa/APA/ZUMA Press Wire
A ONU anunciou nesta segunda-feira (5) que um grupo independente de auditoria liderado por Catherine Colonna, ex-ministra das Relações Exteriores da França, vai liderar as investigações à Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês).
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Catherine Colonna irá liderar os trabalhos do time de investigação à UNRWA, que é acusada de ter funcionários envolvidos nos ataques terroristas do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023. (Leia mais abaixo)
Catherine vai trabalhar com três organizações diferentes: o Instituto Raoul Wallenberg, da Suécia, o Instituto Chr. Michelsen, da Noruega, e o Instituto Dinamarquês de Direitos Humanos.
Segundo o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, o time de Catherine Colonna irá avaliar a capacidade da UNRWA de garantir a neutralidade e de responder às acusações de violações decorridas da suposta participação de seus funcionários nos ataques de 7 de outubro.
Ainda segundo Guterres, um relatório preliminar da equipe de auditoria será apresentando até o final de março, com entrega de um relatório definitivo até o final de abril, que será público.
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Espanha e Portugal continuarão doações
A Espanha afirmou nesta segunda-feira (5) que enviará à Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) mais 3,5 milhões de euros (aproximadamente R$ 18,8 milhões). A medida vai na contramão do que diversos países fizeram nos últimos dias.
Por exemplo, dez dos principais países financiadores da agência suspenderam temporariamente suas doações à entidade: Alemanha, EUA, Austrália, Japão, Itália, Holanda, Canadá, Finlândia, Suíça e Reino Unido.
A suspensão do financiamento por alguns dos países é motivada pelas acusações de um suposto envolvimento de funcionários da UNRWA nos ataques terroristas do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023. Segundo o governo israelense, 12 funcionários da agência estiveram envolvidos no ataque que iniciou a guerra.
“A situação da UNRWA é desesperadora e existe um sério risco de que as suas atividades humanitárias sejam paralisadas em Gaza dentro de algumas semanas”, disse o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares. Em 2023, Madri ofereceu 18,5 milhões de euros (aproximadamente R$ 100 milhões) à agência.
Pessoas fazem fila para receber ajuda em um centro de ajuda da ONU para refugiados palestinos (UNRWA) no campo de refugiados palestinos Jaramana, em Damasco, na Síria, neste domingo (2)
Louai Beshara / AFP
Outro país que também anunciou apoio financeiro à UNRWA foi Portugal. Na última sexta-feira (2), o governo português declarou que repassará 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,37 milhões).
O ministro das Relações Exteriores português, João Cravinho, escreveu na rede social X (antigo Twitter), que é essencial “não virar as costas à população Palestina neste momento difícil”.
Um porta-voz da agência também disse que se o financiamento não for retomado, a UNRWA conseguirá prestar seus serviços em toda a região, incluindo Gaza, até fevereiro.
Suposta relação da UNRWA com o Hamas
A UNRWA, criada em 1949 após a primeira guerra árabe-israelense, oferece serviços que incluem educação, cuidados primários de saúde e ajuda humanitária aos palestinos em Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Síria e Líbano.
De acordo com a agência, metade de seu orçamento é investido em educação. A agência mantém mais de 700 escolas, o que faz dela a única organização da ONU a operar um sistema escolar completo, de acordo com um comunicado à imprensa de maio de 2023.
Porém, o porta-voz do governo israelense, Eylon Levy, afirmou que a UNRWA é uma fachada para o Hamas.
"A agência foi comprometida de três maneiras: contratando terroristas em massa, deixando suas instalações serem usadas para atividades militares do Hamas e se apoiando no Hamas para a distribuição da ajuda na Faixa de Gaza", afirmou.
Após a denúncia, Philippe Lazzarini, comissário-geral da UNRWA, afirmou que abriu uma investigação para apurar a possível relação entre a agência e o grupo terrorista. "Essas alegações chocantes ocorrem no momento em que mais de 2 milhões de pessoas em Gaza dependem da assistência vital que a agência vem fornecendo desde o início da guerra", declarou também.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, por sua vez, prometeu responsabilizar "qualquer funcionário envolvido em atos de terror" e pediu para que os países não deixem de apoiar a UNRWA.