
Autoridades israelenses consideravam que ataque iraniano era iminente depois que o governo do Irã prometeu responder ao bombardeio israelense na embaixada do Irã na Síria, que matou comandantes da Guarda Revolucionária. TV estatal do Irã divulga vídeo de drones usados em ataque contra Israel
O Irã enviou drones e mísseis para atacar Israel neste sábado (13), disseram militares israelenses. Os drones demoraram horas para alcançar o território israelense. Pouco antes das 20h (2h da madrugada de domingo no horário de Israel) foram ouvidas diversas explosões na cidade de Jerusalém. Além disso, as sirenes de aviso soaram em quase todo o país.
O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), Daniel Hagari, e a Guarda Revolucionária iraniana confirmaram que o ataque partiu do Irã.
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Segundo a IDF, o Irã lançou 200 drones. Alguns foram derrubados pelas Forças israelenses, pelos Estados Unidos, pelo Reino Unido e pela Jordânia antes de chegarem ao espaço aéreo israelenses.
A IDF afirmou que mais de dez mísseis e dezenas de drones foram interceptados antes de chegarem ao país. Ainda há aviões no ar interceptando os artefatos iranianos.
Trata-se de uma retaliação depois de um bombardeio no dia 1º de abril contra o consulado iraniano em Damasco, na Síria, em que um comandante sênior das Guardas Revolucionárias do Irã foi morto. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amirabdollahian, disse que "os avisos necessários foram dados aos EUA" sobre o ataque de retaliação. Após o Irã colocar os drones no ar, a Casa Branca afirmou que o ataque vai se desenrolar durante horas.
O que se sabe sobre o ataque do Irã
O Irã enviou dezenas drones para atacar o território de Israel neste sábado.
Os drones demoraram horas até chegar ao alvo.
No caminho, uma parte dos drones foi derrubada por aeronaves de Israel, dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Jordânia.
As primeiras explosões e as sirenes de aviso foram ouvidas por volta de 20h (2h de domingo em Israel).
As forças de defesa israelenses afirmaram que estão preparadas para o ataque.
O ataque é uma retaliação do Irã contra Israel: em 1º de abril, a embaixada iraniana na cidade de Damasco, na Síria, foi atingida, e sete pessoas morreram —entre elas, um comandante sênior da Guarda Revolucionária do Irã.
Representantes do Irã na ONU afirmaram que a retaliação terminou, "a não ser que Israel cometa outro erro".
Segundo o Flightradar, um site que monitora a aviação, os espaços aéreos de Israel, Jordânia, Iraque e Líbano estão fechados.
A IDF afirmou que está em alerta máximo e monitora constantemente a situação. "O conjunto de defesa aérea está em alerta máximo, juntamente com os caças e os navios da Marinha israelense que estão em missão de defesa no espaço aéreo israelense. A IDF está monitorando todos os alvos", diz a nota.
No fim, pede para que as pessoas em Israel sigam instruções do comando e os anúncios oficiais.
Antes mesmo do ataque, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que Israel estava de prontidão para um ataque direto do Irã e que responderia da mesma forma. "Nossos sistemas de defesa estão em prontidão e estamos preparados para qualquer cenário", disse ele.
Daniel Hagari, o porta–voz da IDF, afirmou que o país está se defendendo com toda sua força e que essa é uma missão que eles estão determinados a cumprir.
Um garoto de 10 anos foi atingido por estilhaços de um projétil interceptador na região do deserto de Negev (uma área onde há muitas bases militares de Israel). Um centro militar foi levemente atingido.
Por volta de 21h45 de Brasília (3h45 de domingo em Israel) os militares israelenses falaram que a população não precisava mais busca abrigos, sinalizando que a ameaça havia passado.
O que vai acontecer depois dos ataques?
Israel pediu uma reunião de emergência no Conselho de Segurança na ONU.
Antes disso, representantes do Irã na ONU afirmaram que atacaram em retaliação ao bombardeio do consulado em Damasco e que, agora, a questão está concluída —a não ser que Israel "cometa outro erro". Eles também afirmaram que esse é um conflito entre eles e Israel, e que os EUA devem manter distância da disputa.
A Guarda Revolucionária publicou dois comunicados. No primeiro, diz que qualquer ameaça dos EUA e de Israel "será respondida de forma recíproca". No segundo, afirma que, se o "governo terrorista dos EUA" apoiar ou participar de um ataque contra o Irã, "vai ter uma resposta contundente das Forças Armadas do Irã".
O ministro de Defesa do Irã, Mohammad Reza Ashtiani, afirmou que eles vão atacar qualquer país que abrir seu espaço aéreo para Israel poder retribuir contra o território iraniano.
O Ministério de Relações Exteriores publicou um comunicado na mesma linha: "O Irã não vai hesitar ao tomar mais medidas defensivas para garantir seus interesses legítimos contra qualquer agressão militar".
O Canal 12, de Israel, afirmou que conversou com um oficial das forças israelenses que pediu para não ser identificado e disse que o país tem planos para dar uma "resposta significativa" para o ataque "sem precedentes".
Outras frentes
Depois do anúncio do ataque, o Hezbollah, um grupo libanês aliado do Irã, afirmou que disparou foguetes contra bases israelenses.
Os rebeldes houthis do Iêmen que, assim com o Hezbollah, são aliados do Irã, também dispararam projéteis contra os israelenses, segundo o jornal "Times of Israel".
Netanyahu convocou gabinete de guerra
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu convocou seu gabinete de guerra após o Irã anunciar o ataque.
Benjamin Netanyahu faz reunião em Tel Aviv durante ataque do Irã contra Israel, em 13 de abril de 2024
Reprodução
Israel já vinha se preparando há dias
O país já estava se preparando e "monitorando de perto um ataque planejado" de Irã ou um de seus grupos aliados há dias, disse o ministro da Defesa israelense Yoav Gallant.
Segundo autoridades israelenses, após o Irã prometer responder ao bombardeio israelense à embaixada iraniana na Síria, que matou comandantes da Guarda Revolucionária, um ataque era considerado iminente.
Gallant disse ainda que as tropas israelenses devem acatar quaisquer ordens que possam ser emitidas pelo Comando da Frente Interna militar, que mapeia mísseis recebidos e outras ameaças aéreas para que o público saiba se deve se abrigar.
O comando da IDF de Israel proibiu reuniões de mais de 1.000 pessoas em todo o país.
Irã dispara drones contra Israel
Arte/g1
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Imagem da cidade de Tel Aviv na noite do dia 13 de abril de 2024, quando o Irã enviou drones para atacar Israel
Reprodução vídeo/Reuters
Apreensão de navio
A Guarda Revolucionária iraniana apreendeu um navio de carga português neste sábado (13) no Estreito de Ormuz, afirmou a agência de notícias estatal iraniana IRNA.
Um helicóptero das forças especiais da Marinha da Guarda abordou o navio de carga português, chamado MSC Aries, e o levou para águas territoriais do Irã. Segundo a Guarda Revolucionária, a embarcação está "ligada a Israel".
A MSC, que opera o Aries, confirmou a apreensão e disse que trabalha com as autoridades competentes para o regresso seguro do navio e o bem-estar dos seus 25 tripulantes.
Em rede social, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, disse que Teerã pratica pirataria e que deveria ser sancionado por isso.
Irã diz ter apreendido 'navio ligado a Israel'
“O regime do aiatolá de Khamenei é um regime criminoso que apoia os crimes do Hamas e que está conduzindo uma operação pirata que viola o direito internacional”, disse Katz no X.
“Apelo à União Europeia e ao mundo livre para que declarem imediatamente o corpo da Guarda Revolucionária Iraniana como uma organização terrorista e para que sancionem agora o Irão.”
Já o porta-voz militar de Israel, o contra-almirante Daniel Hagari, disse que “o Irã sofrerá as consequências por escolher agravar ainda mais esta situação”.
A MSC aluga o navio Aries da Gortal Shipping, uma afiliada da Zodiac Maritime, disse a Zodiac em comunicado. De acordo com a empresa, a MSC é responsável por todas as atividades do navio. A Zodiac é parcialmente propriedade do empresário israelense Eyal Ofer.
Helicóptero passa sobre o navio MSC Aries
AFP/Divulgação
Escalada de tensão
A crise começou depois que autoridades iranianas acusaram Israel de um bombardeio ao consulado do país na Síria, que matou um comandante e outros seis oficiais da Guarda Revolucionária Iraniana. O governo israelense não assumiu a autoria.
Os EUA posicionaram navios de guerra para proteger Israel.
O presidente americano Joe Biden avisou que a retaliação ao bombardeio aconteceria e alertou ao Irã que não ataque. Biden ainda garantiu que Washington vai proteger Israel.
Por precaução, vários países como França, Reino Unido, Alemanha e Rússia pediram aos cidadãos que evitem viagens para a região.