Jorge Glas foi detido dentro da sede da representação diplomática do México, espaço protegido por convenção internacional. Episódio causou fechamento da missão mexicana em Quito e crise na relação entre os dois países Vídeo mostra ex-vice presidente do Equador sendo levado para fora de Embaixada do México
O governo do México divulgou imagens do momento em que policiais detêm Jorge Glas, ex-vice-presidente do Equador, dentro da embaixada mexicana em Quito. O vídeo mostra que o político foi arrancado a força do local, segurado por quatro agentes.
A invasão da embaixada aconteceu na noite de sexta-feira (5). Glas foi condenado a seis anos de prisão no Equador por corrupção.
Em resposta à operação policial, o México anunciou que suspendeu as relações diplomáticas com Quito e fechou sua embaixada.
O vídeo mostra policiais encapuzados e armados com metralhadoras pulando os muros da embaixada. De acordo com as legendas do vídeo fornecidas pelo governo mexicano, um dos agentes aponta uma arma para o chefe da missão, Roberto Canseco, quando este tenta impedir a prisão de Glas.
Canseco também foi detido, por tentar bloquer a passagem de duas viaturas que participaram da operação.
Glas recebeu asilo político do México e estava na embaixada desde dezembro 2023. Ele alega ser vítima de uma perseguição da Procuradoria-Geral do Equador.
Inviolabilidade
De acordo com a Convenção de Viena sobre as Relações Diplomáticas, de 1961, os locais de missões de um país dentro de um outro — como embaixadas e consulados — são considerados invioláveis. Equador e México aderiram à regra na década de 1960.
Segundo o tratado, a entrada de agentes de Estado dentro desses locais depende da autorização do chefe da missão estrangeira. Ou seja, no caso do Equador, a polícia deveria solicitar permissão ao embaixador mexicano para ingressar na Embaixada do México.