Ex-vice-presidente do Equador Jorge Glas tentou suicídio na prisão, diz advogada
Glas entrou em greve de fome nesta quarta-feira (10), mas já havia se recusado a comer na prisão. Ele foi hospitalizado na segunda, mas horas depois recebeu alta. Ele estava asilado na embaixada do México em Quito até a última sexta-feira, quando a polícia equatoriana invadiu o imóvel e levou o ex-presidente preso. O ex-vice-presidente do Equador, Jorge Glas, chega à corte para audiência de apelação de sua condenação na Suprema Corte, em Quito, em 23 de maio
AP Photo/Dolores Ochoa, File
O ex-vice-presidente do Equador Jorge Glas tentou cometer suicídio na prisão antes de ser hospitalizado na segunda-feira (8), segundo informaão do ex-presidente Rafael Correa confirmada pela advogada de Glas, Sonia Vera.
Glas entrou oficialmente em uma greve de fome para protestar contra a sua prisão nesta quarta-feira (10), disse sua advogada em comunicado no X (antigo Twitter). Mas o ex-vice-presidente já estava sem comer na prisão há dias, motivo que levou à sua hospitalização na segunda.
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"Confirmamos que a emergência médica foi uma tentativa de suicídio. Ele não comeu nada e está em greve de fome", disse Correa em mensagem enviada pelo X (antigo Twitter). Sonia Vera confirmou a informação de Correa em mensagem à Reuters.
Glas foi condenado duas vezes por corrupção e enfrenta mais acusações na Justiça. Desde dezembro, ele morava na embaixada do México na capital do Equador, Quito.
Ele foi preso na última sexta-feira, quando a polícia do Equador invadiu a embaixada mexicana em Quito. (Leia mais sobre a prisão abaixo)
A Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou a invasão da embaixada em uma resolução aprovada nesta quarta-feira com 29 votos favoráveis e 1 contra (foi o voto do próprio Equador).
Três dias depois da prisão de Glas, ele foi levado a um hospital em Guayaquil porque se recusou a comer a comida da prisão.
Ele voltou à prisão na terça-feira, após receber alta. Na ocasião, a agência penitenciária SNAI afirmou que Glas estava em um estado de saúde aceitável.
A SNAI disse que "cuidará da proteção da integridade física" do ex-vice-presidente.
O advogado Eduardo Franco Loor afirmou que foi apresentada uma moção para a libertação de Glas.
Invasão da embaixada
Vídeos mostram ex-vice presidente do Equador sendo levado para fora de Embaixada do México
A invasão à embaixada do México em Quito fez com que os dois países entrassem em crise diplomática. O México suspendeu relações diplomáticas com o Equador, e países da região criticaram a ação da polícia equatoriana.
Ambos os países defenderam suas ações, mas também disseram que estão dispostos a trabalhar em suas relações.
O governo do Equador afirmou ter provas de que Glas estava planejando fugir, embora não tenha fornecido detalhes.
Vídeos de dentro da embaixada transmitidos durante a coletiva de imprensa diária do presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador nesta terça-feira mostraram uma porta aberta violentamente, bem como um homem, que parecia ser Glas, sendo carregado para fora, por policiais.
O vídeo também mostrava funcionários da embaixada tentando bloquear outra porta, mas sendo afastados por agentes de segurança equatorianos armados.
Momento em que policiais do Equador imobilizam ex-vice-presidente Jorge Glas e o conduzem para fora da Embaixada do México
Reprodução/Governo do México
"Não podemos permitir que algo assim passe despercebido. Não ficaremos calados", disse López Obrador, acrescentando que o vídeo será usado na solicitação do México para que a Corte Internacional de Justiça da ONU assuma o caso.
Condenação de Glas
Glas, que é de esquerda e foi vice-presidente de 2013 a 2017, foi condenado a seis anos de prisão em 2017 por aceitar subornos da construtora brasileira Odebrecht em troca de contratos estatais.
Ele foi condenado novamente em 2020 por usar dinheiro de empreiteiras para financiar campanhas para o movimento político do ex-presidente Rafael Correa e recebeu uma sentença de oito anos.
Jorge Glas cumpriu mais de quatro anos de prisão antes de ser libertado em 2022. Ele agora enfrenta acusações de uso indevido de fundos de reconstrução após um terremoto devastador em 2016.
Glas afirma que as acusações contra ele são uma perseguição política, uma acusação que os promotores negam.