Lula gerou crise diplomática com Israel ao comparar a ação israelense na Faixa de Gaza com o extermínio de judeus por nazistas liderados por Adolf Hitler. Barroso diz que Holocausto é tema que não pode ser 'banalizado'
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, evitou nesta quarta-feira (21) fazer comentários sobre a declaração do presidente Lula que gerou uma crise diplomática entre Brasil e Israel.
Questionado sobre a fala do petista, durante entrevista à GloboNews, Barroso não quis opinar, mas disse que o extermínio de judeus por nazistas liderados por Adolf Hitler é um tema que precisa ser tratado "com cerimônia" e "respeito", e não pode ser "banalizado".
No último domingo (18), o presidente Lula comparou a ação de Israel, na Faixa de Gaza, ao que Hitler fez com os judeus no século passado. A fala foi repudiada por israelenses, e o governo do país declarou o petista "persona non grata".
O presidente do STF, que é de origem judaica, disse que a declaração de Lula é um assunto que ele não pode ou deve comentar, mas afirmou que o Holocausto "mexe com sentimentos e com um passado de sofrimento inimaginável".
"Portanto, é um assunto que tem que ser tratado com muita cerimônia e não ser banalizado. Eu não vou entrar na questão do comentário do presidente, não é o meu papel. Mas, para quem viu e conhece as pessoas que eu conheço, viu às cenas, visitou o Museu do Holocausto, eu fui a Auschwitz, é impossível avaliar a barbárie que foi aquilo. Não foi guerra, aquilo foi desumanidade mais profunda", disse.
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Para o magistrado, o Hamas é um grupo "terrorista", e o que está acontecendo no Oriente Médio é uma "guerra".
"Mas é possível ter uma visão duramente crítica da política do Benjamin Netanyahu, se alguém quiser ter. Mas é uma guerra, não é um exercício de desumanização. Possivelmente, a coisa mais impactante que eu já vi foi Auschwitz. Você sai de lá e [leva] dias para se recuperar daquela energia do que aconteceu ali. Então, eu trataria com muito respeito e seriedade", concluiu Barroso.