Após resultado incerto nas urnas, presidente de Portugal abre tentativas para partidos formarem governo e pode convocar novas eleições
Marcelo Rebelo de Sousa começará na terça-feira (12) a ouvir propostas de alianças entre as siglas vencedoras. Conservadores, que foram os mais votados, descartam por enquanto coalizão com Chega, da extrema direita e que terminou em terceiro. União entre centro-direita e socialistas também é cogitada. Centro-direita vence eleições em Portugal
O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou nesta segunda-feira (11) que iniciará as tentativas de formação de um novo governo no país a partir de terça-feira (12) e poderá convocar novas eleições caso não haja alianças.
A Aliança Democrática (AD), de centro-direita, foi a mais votada nas eleições de domingo, mas não angariou o número de assentos mínimo no Parlamento necessários para formar um governo.
Em Portugal, os eleitores votam em um partido, e o número de votos é transformado em cadeiras no Legislativo. No entanto, para eleger seu primeiro-ministro, uma sigla deve obter metade dos 230 assentos no Parlamento. A AD só conquistou 79 cadeiras.
O presidente português — que no país europeu tem apenas a função de chefe de Estado — disse que o período de consultas a partidos ocorrerá entre terça-feira e até o dia 20 de março. Se até lá os partidos não apresentarem alianças que somem o número de assentos mínimo, Rebelo de Sousa pode convocar novas eleições.
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Alianças possíveis
O líder do partido de extrema direita português Chega, André Ventura, celebra em Lisboa após resultado das eleições, nas quais a sigla terminou em terceiro, em 10 de março de 2024.
Pedro Rocha/ Reuters
A coalizão entre a AD é o Chega, partido de extrema direita que terminou em terceiro lugar, é a única que automaticamente garantiria um novo governo no país.
O Chega, que já tinha representação no Parlamento, triplicou suas cadeiras e terminou as eleições com 48 assentos. No entanto, o líder da AD, Luís Montenegro, já afirmou que não faria uma aliança com a sigla da extrema direita para formar governo.
Uma alternativa, neste caso, seria uma coalizão entre a AD o Partido Socialista, o segundo colocado, que terminou com 77 assentos no Parlamento. A Aliança Democrática foi a principal força de oposição no governo socialista, que governou até o início deste ano.
No entanto, essa opção vem sendo considerada por alguns deputados das duas siglas como uma forma de barrar a extrema direita no país.
Pelo outro lado, o Partido Socialista também não alcança a maioria necessária para governar apenas em uma aliança com as siglas da esquerda que conseguiram cadeiras no Parlamento.
Caso nenhuma aliança seja apresentada no período determinado por Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente português pode convocar novas eleições no país. Neste caso, os portugueses voltam as urnas novamente.